sábado, 31 de março de 2012

Os Jardins de Frederico



Foi numa tarde ensolarada em Schoferheide, cidade prussiana nos arredores de Berlim, que ainda não havia sido engolida pela industrialização (apesar de que as cortinas de fumaça berlinenses já chegavam a cidade). Mas a cidade era uma das poucas que possuíam bastante área verde.

Uma dessas áreas verdes era o Friedrichshof, ou "Tribunal de Frederico" em português (ficava em frente ao tribunal de justiça, e por isso o jardim tinha esse nome). Pelo que nossos pais contavam, Friedrichshof já foi uma área de intenso lazer para a população de Schoferheide, um lugar onde nobres, burgueses, camponeses e operários se reuniam livremente aos domingos. Mas, no distante ano de 1867,  um louco chamado Werther Schewiger assassinou um nobre da cidade, graf Albert von Luhmmenberg, e sua esposa, Charlotte von Luhmmenberg, por quem estava apaixonado. E mais seis crianças que estavam presentes no momento, e depois se matou.

Essa é apenas a primeira parte da história. Agora, contarei a outra.
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Em 1890, eu estava com meus amigos, naquele domingo de tarde, caminhando na praça da cidade. Do outro lado da rua, estava Friedrichshof. Olhávamos para aquele jaridm abandonado. O chafariz cheio de lodo. As plantas altas. Elas cobriam os túmulos das vítimas do Massacre de Friedrichshof.

Do outro lado de Friedrichshof, Liesel passeava com suas amigas. Elisabeth Strauss tinha o cabelo loiro escuro grande, que lhe chegava ao meio da costa, postura perfeita, mãos delicadas e olhos verdes enormes, que lhe pareciam saltar as órbitas. Era o objeto de paixão de Rolf Langesdorfer, um colega nosso.

- Feches a boca por que se não entra inseto!- eu falei brincando. Rolf era 1 ano mais velho que Liesel, tendo 15 quando ela tinha 14. Nos somos de família burguesa, é verdade. Rolf era um burguês, com pais ricos, e Liesel também. Mas o pai de Liesel nunca concordaria em casar sua filha mais velha com ele, por razões que ignoro.

- Ah, vão fazer algo de útil!- ele disse, nos espantando com a mão.

- Deves provar tua coragem para que ela tenha qualquer interesse em ti, amigo- Nikolaus (nosso amigo, cujo apelido era Klaus) disse, batendo em na costa dele.

- É! Que tal entrares em Friedrichshof? Ela lhe cairia de joelhos!

Eu realmente duvidei que o covarde Rolf fosse fazer isso. Mas dessa vez ele deve ter enfezado. Disse, com raiva:

- Claro! Eu vou lá!

Saiu com pressa e nós fomos segui-lo. Liesel e suas amigas agora olhavam para nós, preocupadas.

Ele pulou o portão de Friedrichshof e sumiu na mata. Liesel veio correndo até nós.

- Por que ele fez aquilo?! É louco?! Todos sabem que Friedrichshof é assombrado!

Não sabíamos o que dizer. Liesel sentou-se no meio fio e ficou chorando compulsivamente, sendo consolada pelas amigas, que olhavam feio para nós.

Estava escurecendo. Ela, com as lágrimas ainda lhe enfeiando o belo rosto, levantou-se subitamente.

- Já chega. Chamarei o chefe de polícia!

Quando ela ia fazer isso, ouvimos um grito aterrorizado, e Rolf voltou correndo.

- Abram esse portão, pelo amor de Deus, ABRAM ESSE PORTÃO!

Klaus, o mais forte de nós, quebrou a fechadura do portão com o punho e Rolf disse:

- VENHAM, FUJAM AGORA!- Nós fomos correndo com ele.

Eu nunca soube direito porque ele ficou assim. Acho que algum dos fantasmas queria se vingar de quem lhes estava perturbando o sono eterno.

Mas ninguém nunca mais voltou a Friedrichshof

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