Foi numa tarde ensolarada em Schoferheide, cidade prussiana nos arredores de Berlim, que ainda não havia sido engolida pela industrialização (apesar de que as cortinas de fumaça berlinenses já chegavam a cidade). Mas a cidade era uma das poucas que possuíam bastante área verde.
Uma dessas áreas verdes era o Friedrichshof, ou "Tribunal de Frederico" em português (ficava em frente ao tribunal de justiça, e por isso o jardim tinha esse nome). Pelo que nossos pais contavam, Friedrichshof já foi uma área de intenso lazer para a população de Schoferheide, um lugar onde nobres, burgueses, camponeses e operários se reuniam livremente aos domingos. Mas, no distante ano de 1867, um louco chamado Werther Schewiger assassinou um nobre da cidade, graf Albert von Luhmmenberg, e sua esposa, Charlotte von Luhmmenberg, por quem estava apaixonado. E mais seis crianças que estavam presentes no momento, e depois se matou.
Essa é apenas a primeira parte da história. Agora, contarei a outra.
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Em 1890, eu estava com meus amigos, naquele domingo de tarde, caminhando na praça da cidade. Do outro lado da rua, estava Friedrichshof. Olhávamos para aquele jaridm abandonado. O chafariz cheio de lodo. As plantas altas. Elas cobriam os túmulos das vítimas do Massacre de Friedrichshof.
Do outro lado de Friedrichshof, Liesel passeava com suas amigas. Elisabeth Strauss tinha o cabelo loiro escuro grande, que lhe chegava ao meio da costa, postura perfeita, mãos delicadas e olhos verdes enormes, que lhe pareciam saltar as órbitas. Era o objeto de paixão de Rolf Langesdorfer, um colega nosso.
- Feches a boca por que se não entra inseto!- eu falei brincando. Rolf era 1 ano mais velho que Liesel, tendo 15 quando ela tinha 14. Nos somos de família burguesa, é verdade. Rolf era um burguês, com pais ricos, e Liesel também. Mas o pai de Liesel nunca concordaria em casar sua filha mais velha com ele, por razões que ignoro.
- Ah, vão fazer algo de útil!- ele disse, nos espantando com a mão.
- Deves provar tua coragem para que ela tenha qualquer interesse em ti, amigo- Nikolaus (nosso amigo, cujo apelido era Klaus) disse, batendo em na costa dele.
- É! Que tal entrares em Friedrichshof? Ela lhe cairia de joelhos!
Eu realmente duvidei que o covarde Rolf fosse fazer isso. Mas dessa vez ele deve ter enfezado. Disse, com raiva:
- Claro! Eu vou lá!
Saiu com pressa e nós fomos segui-lo. Liesel e suas amigas agora olhavam para nós, preocupadas.
Ele pulou o portão de Friedrichshof e sumiu na mata. Liesel veio correndo até nós.
- Por que ele fez aquilo?! É louco?! Todos sabem que Friedrichshof é assombrado!
Não sabíamos o que dizer. Liesel sentou-se no meio fio e ficou chorando compulsivamente, sendo consolada pelas amigas, que olhavam feio para nós.
Estava escurecendo. Ela, com as lágrimas ainda lhe enfeiando o belo rosto, levantou-se subitamente.
- Já chega. Chamarei o chefe de polícia!
Quando ela ia fazer isso, ouvimos um grito aterrorizado, e Rolf voltou correndo.
- Abram esse portão, pelo amor de Deus, ABRAM ESSE PORTÃO!
Klaus, o mais forte de nós, quebrou a fechadura do portão com o punho e Rolf disse:
- VENHAM, FUJAM AGORA!- Nós fomos correndo com ele.
Eu nunca soube direito porque ele ficou assim. Acho que algum dos fantasmas queria se vingar de quem lhes estava perturbando o sono eterno.
Mas ninguém nunca mais voltou a Friedrichshof
Parabéns Bela, continue assim e irá longe. Bjs da titia
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